Dizem por aí que closet recheado é sinal de estante vazia. Ledo engano!
Meus roupeiros são abarrotados, e ainda invado os das crianças. Gosto de moda e guardo roupas que não uso há anos, mas que continuam guardadas.
Não
tentem me confundir com aconselhamentos vãos; armário cápsula não significa armário vazio, mas com os chamados básicos essenciais, que podemos coordenar de inúmeras maneiras e que são atemporais.
Geralmente, não sigo tendências. Tenho a tendência de escolher o que me deixa bem, a depender da fase da vida em que transito.
Já usava roupas agêneras na minha adolescência e início da vida adulta. Costumava roubar do armário de meu padrasto suas cheirosas camisas polos e sociais, e do meu marido, as que me agradavam. Aquele coitado permitia que as usasse antes dele.
Adorava os tênis de lona e botas — ah, como amava e ainda amo botas, de diversas cores, estilos e tamanhos de cano.
Bolsas, as mais divertidas e irreverentes, algumas confeccionadas por mim ou por minha mãe, uma exímia artesã, costureira e também modista!
Só detestava e detesto marcas falsas, como sinto ojeriza por tudo que for imitação, e isso inclui gente. Couro vegetal? Nem pensar. Onde se viu árvore com couro? Mato, flores ou folhas com couro? Prefiro usar sapatos e bolsas de couro de gente falsa, ao menos o couro é original.
Adoro acessórios de lona, madeira, poliéster, polietileno, juta — ou qualquer outro material a usar o tal do couro vegetal ou outra enganação qualquer.
E chapéus? Outra paixão. Com abas largas, curtas, de palha, lona, juta, feltro e muitos estilos... Adoro boinas, bonés, toucas, viseiras — e o que couber em minha cabeça, inclusive melancia, caso eu decida usar!
Informo aos desavisados e ignorantes de plantão: chapéu não é necessariamente um guarda-sol, e sim um acessório como outro qualquer. E o mesmo serve para as botas, que podem ser usadas no frio ou no calor, na área rural ou urbana. Se não gostam, perfeito, mas não façam observações bizarras ao verem as pessoas usando.
Echarpes, pashimines, lenços e cachecóis... Como gosto desses acessórios, embora tenha nascido em lugar com um calor da mulesta!
Costumo usar roupas e acessórios como figurino ou fantasia: da artista visual, da advogada, professora, avó coruja, dona de casa, comerciante, feirante — sim, participo de feiras com artesanato e roupas usadas.
Bem, agora vamos para as estantes de livros.
Também não sou adepta do famoso "circular os livros lidos". Os meus circulam em minha própria casa, no meu escritório ou na repartição. Passeiam muito pelas clínicas, ambulatórios, consultórios médicos, bancos, fóruns e tribunais, já que cultivo o hábito de esperar sentada e lendo. Conhecem alguns estados do meu país e até de países vizinhos, mas passeiam comigo e votam comigo!
Detesto emprestar livros, e só o faço em raras exceções. As pessoas costumam confundir empréstimo com doações, portanto, prefiro comprar e presentear. E faço isso com frequência.
Se tenho livros em minhas estantes que não li? Claro! Quem não tiver, que atire o primeiro livro. Às vezes me sentia incomodada por comprar mais do que tinha tempo ou vontade para ler, mas entendi que inúmeros livros servem para consultas, e outros, para se ler a depender do momento — seja de ócio, alegria ou desespero.
Tenho muitos amigos, embora muitas pessoas acreditem que amigos não existam. Eu acredito, tenho ciência e posso provar! (Coisas de advogada.) Mas os livros, em algumas situações, têm sido, ao longo dos meus anos, bons e sinceros amigos: não são complacentes, me sacodem, puxam minhas orelhas, aconselham, guiam, me mostram partes do mundo que nunca visitei fisicamente.
São amigos que me levam a viagens incríveis, me esclarecem em momentos de confusão, me alegram, excitam, me deixam eufórica ao ponto de ter um infarto, e me consolam... Como me consolam. São amigos, mestres e companheiros. E alguns me acompanham desde a minha infância.
Outra mania é querer tudo que foi produzido por determinado autor, se o mesmo me impressionar de forma positiva. Como aconteceu com Sartre, Simone de Beauvoir e tantos outros. Por épocas, me torno a louca dos existencialistas, da Segunda Guerra Mundial, da ditadura no Brasil e na América Latina.
A louca da revolução cubana, do inolvidável Che, Jorge Amado, Marina Colasanti, Marilena Chauí, Antônio Callado, Alexander Lowen, Brian Weiss, Dominique Lapier, Eduardo Galeano, Roger Garaudi... E tantos outros.
Amo mitologia, e de inúmeros panteões. Também gosto de ler sobre a história das religiões. Quanto à filosofia e doutrina espírita, são cinquenta anos de afeto, companheirismo e aprendizado.
Como não poderia ter muitos livros? E muitas roupas e acessórios? Fazem parte de minha história, de minha eterna inquietação e curiosidade.
Como vês, pode-se conciliar um grande closet com uma grande biblioteca.
Vânia de Farias Castro
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