VÂNIA DE FARIAS CASTRO

domingo, 24 de março de 2019

Uma coisa intrigante que ainda não consegui entender por mais que me esforce.
Durante o processo eleitoral, desde o da Presidenta Dilma Roussef, durante o tenebroso golpe, o desgoverno do Temer, e por ocasião da ultima eleição presidencial, nos abstivemos de usar até o termo coxinha, para nos referir aos opositores de nossa democracia. Sim, porque os mesmos não estavam se opondo ao PT, como alardeavam a pleno pulmões, mas a um plano de governo, que tinha como uma das metas, reduzir as desigualdades sociais, que há muito vinha se transformando em abismos sociais, através de alguns planos de governo, que beneficiaram não apenas seus eleitores, bem como quem já não votava, quem jamais votou, e quem nunca votaria. E mais, que de forma agressiva e fanática defendia um juiz arbitrário, despreparado, com uma postura jamais vista, pelo menos por nós, em qualquer judiciário do país, que apenas copiava uma operação fracassada que se deu na Itália, e apenas com propósitos políticos partidários, com o agravante de está claramente a serviço do capital estrangeiro, repetindo um script conhecido e velho, usado no golpe militar de 64, o que culminou com o Ato Institucional, que violava os direitos civis, autorizava o estado a matar, perseguir, torturar qualquer desafeto ou cidadão comum, que estivesse no lugar errado e no momento errado, sem qualquer participação política naqueles tenebrosos tempos.
O AI 5, provocou a morte, tortura, opressão, perseguição, incineração de inúmeros brasileiros que sonhavam e lutavam pela manutenção de nossa democracia e de nossa soberania, ao contrário dos assassinos que assumiram o poder, que desfilavam arrogantes, usando os mesmos argumentos de defensores da moral e dos bons costumes, quando na verdade não passavam de psicopatas sanguinários ferindo, extirpando seus de mulheres valentes, inteligentes, corajosas e determinadas que se tornaram vítimas daqueles monstros se revezando em intermináveis sessões de humilhações e torturas, estupros coletivos cometidos por homens que deveriam nos proteger e manter a ordem, mas não passavam de seres cruéis que aproveitavam o momento para estravarem seu ódio, taras e total ausência de empatia, sem qualquer escrúpulo, ou comando, eis que seus comandantes eram tão cruéis e desumanos, quanto eles próprios.
Pois bem, tivemos o cuidado de nos abster de comentários maldosos, discriminatórios e estigmatizadores durante esses anos, justificando que eles, os defensores atuais da mesma "moral e bons costumes" estavam exercendo seu direito de escolha e de livre expressão, e não cabia a nós, pelo fato de pensarmos, sentirmos e acreditarmos diferentes, nos julgarmos superiores usando termos que considerávamos depreciativos...
Mais eis que surge uma nova onda: O psicopata foi eleito, mas seus eleitores e vorazes defensores, passaram a agredir mais, ferir mais, chocar mais, nos provocando, insultando e insuflando a desordem, a morte, a grosseria, a crueldade e a barbárie. E se nos posicionamos de forma contrária, os mesmos, com a covardia que sói acontecer com os pusilânimes e ególatras, assumem o discurso de vítimas, e nos acusando de petistas e hospedeiros do ódio, enquanto eles, se consideram a personificação do amor, mascarando um ódio pelos próprios compatriotas e por eles próprios, num desfile de auto estima rebaixada, hediondez e crueldade que explodiu desde há muito, mas que muitos de nós, fazia questão de cegar ante a tanta barbárie e crueldade que já se mostrava embrionária, mas que agora, nasce para a luz, eis que o mal é corajoso e atrevido e o bem é tímido.
Vânia De Farias Castro.
Em 20 de janeiro de 2019.


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Sinto-me vazio
desamparado, humilhado
sinto frio
e essa dor que não cessa
não desiste
jamais pensei que um dia visse isto
um irmão, amigo, filho degolado pelo vício
pela concupiscência, ganância, virou lixo

E a vida, quanto VALE?
Quantos restam dos covardes
nos hodiernos circos, hoje aplaudem
sem, pão nem cérebro, só o riste
os esgares a espumarem lama pútrida
nos mandando para o inferno ou para Cuba
sem entender nada do mundo, da justiça
Pensam que o inferno está bem longe
Na Venezuela se esconde
esqueceram de olhar dentro de si
de suas mentes ignóbeis em frenesi
Vânia De Farias Castro
em 26 de janeiro de 2019
Imagens Google.
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E a lama, e a lama e a lama
a lama alcançou Brumadinho
antes porém, já havia nos atingido
atingido o judiciário
o vigário, o espírita, o artista
a lama já havia atingido a justiça
a escola, a merenda, o autista
a lama petrificou o ególatra
deixou de pensar, contando as esmolas
juntando o lixo, que há muito guardara
acredita que o seu, é uma pedra rara
a do outro, não VALE, vamos enlameá-la
E a lama endureceu nossos corações
queremos o mesmo que quer o irmão
mas somente o meu sonho, valerá o esforço
para o meu amigo, dou a corda e o pescoço
A lama atingiu o Brasil, uma grande nação
hoje o chefe comanda, a mais feia facção
de sua boca esgares, lama pútrida escorre
nosso pânico cresce, mas ninguém nos socorre
e assim vamos nós, rastejando na lama
destilando veneno, nossa mente em chamas
pra apagar esse fogo, só mais lama, só lama.
Vânia de Farias Castro.
Em 31 de janeiro de 2019
Imagens Google.
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Para alguns
a vida de outros
nada vale
os sonhos de outros
nada vale
os filhos dos outros
nada vale

Para uns poucos
o trabalho de muitos
nada vale
o sangue de outros
nada vale
a dor de outros tantos
nada vale
Para uns tantos
a experiência de outros
nada vale
as verdades de outros
nada vale
o tempo de outros
nada vale
Mas o lixo que guardam
vale tudo
seus castelos de areia
vale tudo
suas moedas guardadas
vale tudo
sua Self em euforia
vale tudo
seus escombros assombrados
vale tudo
sua sórdida ganância
vale tudo
suas mentiras em desfile
vale tudo
sua menos valia
vale tudo
sua vida vazia
tudo vale.
Vânia De Farias Castro
Em 04 de fevereiro de 2019
Imagens: Google
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Só queria de ti, tuas palavras
experiências vividas e testadas
não queria demais, queria nada
das paixões doentias, fulminantes
só queria te olhar por uns instantes
descobrir a ventura, já guardada

E quiçá descobrir a meninice
brincadeiras de infante sonhador
não queria este posto de senhor
tentativa atroz de dominar
só queria teu peito acalmar
nos momentos de crise e de dor
Só queria a conversa alegre e simples
sem volúpias a galope destruindo
nossos sonhos do tempo de meninos
com os gados de manga a brincar
E queria ainda tua calma
nos momentos em que paras a lecionar
tua cátedra honrando com vigor
ensinando outros jovens a sonhar...
Não queria esta angústia do amante
ofertando o que não consegues dar
peço a Deus que te possa acalmar
entender que tu podes ser Simão
e erguer a igreja e o altar
entender o evangelho primitivo
não queria te ver triste e aflito
desejando o que não podes alcançar
Vânia de Farias Castro.
Em 05 de fevereiro de 2019
Imagens Google.
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Quantos Sonhos...

Quantos sonhos sacrifícios
quantas vidas, quantos planos
jogados ao abandono
queimados pela fogueira
da ganância sem limites
o lucro único fito
desses monstros sem bandeira

são mercenários em transe
mercadejando talentos
dos vermes serão alimento
quando partirem daqui
pensam que o mundo é apenas
palco pras suas vitórias
seus triunfos de uma hora
por sonhos de uma vida inteira
nessa louca e triste esteira
de roldão serão levados
seus despojos então jogados
deixarão as ilusões
em urnas ou simples caixões
suas vestes ficarão
no ostracismo e olvido
Mas agora o que nos resta
só lamento e um gemido
pelas famílias em luto
chorando pelos seus filhos.
Vânia de Farias Castro.
Em 09 de fevereiro de 2019
Por ocasião da desencarnação de 10 atletas, vítimas de um incêndio no alojamento de um clube desportivo.
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Sairaf

Sairaf nunca gostou de paixões... Da inveja que endoidece, do ciúme que envilece, das negras prisões da vida em bando. Na infância era atraída pela igreja local, e se sentia bem assistindo as missas aos domingos, mesmo que implicasse com as beatas - chegava mais cedo para tomar-lhes os lugares- ficava contente e rindo para si, ao vê-las incomodadas e dominadas pela hipocrisia, impotentes para reivindicarem seus lugares.
Sua vida era feliz, e aproveitava todas as oportunidades para brincar, transformava qualquer saia de papel crepom em um figurino para o próximo evento, e sua alegria era tanta que Adnav ao ver sua pequena filha entusiasmada e envolvida nos seus empreendimentos, juntava-se a mesma e ainda envolvia outros adultos da comunidade, os homens montavam palcos, outros providenciavam a iluminação, e em algumas noites, o bairro era invadido por festa e animação, e as singelas saias de papel, substituídas por belos figurinos confeccionados por Adnav, saias de cambraia bordada, chapéus e sapatilhas de feltro, colares de aljofre e outras crianças representando naquele palco sem entenderem a dimensão do que estavam vivendo... Só entendiam de brincar, dançar, representar e cantar. Eram assim aquelas crianças, amigas de Sairaf.

Vânia de Farias Castro.
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O Carrinho de Corrida

O carrinho de corrida
Sua tia era enfermeira chefe de uma maternidade da capital, e organizava festas memoráveis. A mais atraente para Sairaf era a festa de Natal. Advnav caprichava em suas roupas e acessórios, afinal a mesma seria vista pelas primas da capital que viviam em apogeu material, eis que a avó de Sairaf era uma mulher muito influente no estado, e amealhou com trabalho e dignidade uma fortuna que lhe permitia exercer seu matriarcado com desenvoltura e rigor, razão pela qual os pais de Sairaf decidirem morar em uma cidade pequena, eis que admiravam muito a matriarca, mas admiravam e prezavam mais ainda a independência, e viviam de acordo com seus parcos recursos.
Em certa ocasião, A festa estava linda, com o pátio da maternidade adrede decorado com requinte e bom gosto, com decoração natalina vindas do sul do país, que deixavam aquele cenário, encantador para a pequena Sairaf, e aquelas cores e brilhos, enchiam seus olhos e coração de alegria, sem contar com a grande arvore de natal, repleta de presentes, aguardando apenas a chegada do Papai Noel para a distribuição dos presentes.
Acontece que Sairaf soube através de alguma prima tagarela, que ganharia do Papai Noel, um carrinho de corrida vermelho, e a mesma estava ansiosa para ver e tocar o seu presente, mas eis que uma chuva pega todos desprevenidos e aparvalhados correm em toda direção, para procurarem proteção. Mas Sairaf não contava com a astúcia de sua prima Aigér, que corre em direção a arvore, no meio da chuva encharcando o vestido de organdi, bordado com rendinhas de algodão e ainda seu sapatinho boneca marfim, agora salpicado de pontinhos marrons, da areia molhada do pátio da maternidade.
Aigér com toda a boa intenção possível, pega um grande pacote, e entrega a Sairf, que de pronto estranhou, eis que esperava um carrinho de corrida e aquele pacote era muito desproporcional ao que a menina havia imaginado.
Mas a grande surpresa foi que ao abrir o pacote, auxiliada por Argér, descobre uma grande boneca clara com olhos de vidros azuis, mas com um azul tão forte, que encheu o coração de Sairaf de espanto, imaginando a dor da menina que seria a real ganhadora daquela boneca.
E mais, a boneca não estava vestida, e Sairaf apesar de compadecida da boneca, a rejeitou de pronto, querendo tão somente seu carrinho vermelho. Arjér entre decepcionada e apressada tentava provar a Sairaf que aquele havia sido a melhor escolha, eis que a boneca era linda e seus olhos de vidro, pareciam reais... Não houve argumento que convencesse a menina de que a boneca lhe pertencia. Seguiram para casa e a boneca foi jogada a um canto, nua, como havia chegado e Sairf se negou a brincar ou vestir aquela boneca, desejando aquele carrinho de corrida, que deveria está com alguma criança desconhecida.

Vânia de Farias Castro.
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:24 Nenhum comentário:
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Até Quando?

Até quando
iremos permanecer assim?
Quais espantalhos sem sentido
sem forças, jogados ao olvido
nesta tragédia anunciada
até não haver mais nada
de humanidade em nós
estamos sem qualquer valia
corvos invadiram a plantação
não há mais milhos na nação
só a palha nos alimentando
quem ainda está respirando
o oxigênio que sobrou?
A lama invadiu nossos altares
nossa mente, corpos e lares
amizades obliteradas
apenas a ganância assanhada
insensatez e escuridão.
Vânia De Farias Castro.
Em 12 de fevereiro de 2019
Imagens Google.
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Na criança, a alegria é genuína e natural. Ainda não foi visitada pela culpa, pela necessidade de agradar, de se mimetizar, de receber aplausos. Na criança a curiosidade e a criatividade são elementos essenciais na sua dinâmica de vida de relação, vibram e se extasiam com pequenas coisas, pequenas descobertas, e até com situações que as ponham em relativo perigo, com as inúmeras possibilidades que os objetos, situações e seres, podem proporcionar, e quando os adultos começam a cercear esta curiosidade, a deixar de responder as suas perguntas, por preguiça, falta de atenção ou falta de tempo, e mais, quando pedem para a criança parar de procurar respostas, de tentar entender os fenômenos que lhe são estranhos, para não incomodar os adultos, esta atitude pode levar a um cerceamento da criatividade, levando as mesmas a se contentarem com o que dizem ou acreditam ser melhor para as elas, e não necessariamente o que é melhor para seu desenvolvimento emocional e cognitivo.
Ao contrário, quando seus medos, dúvidas e curiosidades, são atendidos com respeito e cuidado, levando-se em consideração que cada um é um ser único, com dificuldades e potenciais distintos, a possibilidade de se desenvolver um crescimento saudável, e rico em descobertas plenificadoras, é bem maior, e que esta criança se torne um adolescente e posteriormente um adulto cujo processo de individuação, foi construído de forma sólida, sem regras criadas para agradarem ao ego narcisista com o fito de ser aceito e aplaudido pelos outros.
Vânia de Farias Castro.
Em 13 de fevereiro de 2019
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A ambiguidade mata
indiferença mata
desfalque afetivo mata
desrespeito mata
mentira mata
humilhação mata
abuso mata
controle mata
machismo mata
ciúme mata
maledicência mata
quantas vezes precisamos morrer
para alimentar a egolatria de homens?
Sua auto estima rebaixada
seus complexos enterrados
na memória do passado
exumados no presente?
Quantos tiros na dignidade
na honra e oportunidade
quantas portas se fecham
por sermos mulheres?
Quantos risinhos irônicos
se der é devassa
se não, é recalcada
se der é puta
se não é frustrada
se der morre
se não der morre também
qual a saída pra tanta mediocridade
tanta animalidade, num mundo de sapos
onde se pretendem príncipes?
Num mundo de monstros
onde se apresentam homens?
Vânia de Farias Castro.
Em 22 de fevereiro de 2019
Imagens Google.
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Agradecer aos amigos
pelo carinho sem jaça
eis que a vida só tem graça
com a presença do amigo
com ele a dor vivida
passa ao passado com gloria
transformada em escola
ou oficina que ensina
a alegria contida
com a amigo é expandida
cresce alto, voa longe
aos outros, aquece e inebria.
Meu amigo te agradeço
pelo desvelo e carinho
em teus braços fiz um ninho
onde pouso no cansaço
também fiz de teus abraços
minha colcha e meus sonhos
não há pesadelo medonho
que permaneça afligindo
amigo espero em Deus
que nossos laços perdurem
com o respeito maduro
dos espíritos em crescimento
tua amizade alimento
como a flor simples e singela
mas quando o tempo congela
nossos ossos de aflição
essa flor se torna pão
alimentando minha alma
de esperança e calma.
Vânia de Farias Castro.
Em 20 de fevereiro de 2019
Imagens Google.
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E quando não matam de bala
de foice ou de faca
matam de raiva, ausência treinada
por anos a fio, no fio da navalha
na carne vermelha de raiva açoitada
E quando não matam esganadas
com fios de cobre e estranguladas
lhes cortam a voz, na garganta
sem forças ou coragem na luta
sem arma sem nada
E quando não matam, jogadas
do alto caindo quebradas
lhes quebram a moral, auto estima
deixando o bagaço sem doce
amargando nas noites insones
sem sonhos, sem nada...
São homens corteses uns cultos
outros broncos, uns calmos
pacientes, na ciência da morte
ao longo do tempo e acalentada.
Vânia de Farias Castro.
Em 19 de fevereiro de 2019
Imagens Google.
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-Que queres?
-Quero você.
-Pra quê?
-Para meu prazer
me fazer feliz
me enlouquecer

Sonho com noites
de eterno gozo
sonho com teu corpo
com teus lábios e teus seios
mas meu pesadelo é saber
que outros também te querem...
-E não era pra querer?
-Não!
Quero-te apenas pra mim
és minha deusa, minha princesa
minha adorada, minha riqueza
-E se eu não quiser?
-Queres. Mas não tens coragem
é preciso ter coragem para ser feliz
para mostrar o corpo como uma meretriz
é preciso não ter culpa para amar de todas as maneiras
de todas as formas, em todas as posições
mesmo que eu sempre esteja certo
confortável e em melhores condições
e que minha posição jamais seja questionada
sou homem não entendes?
-Não!
-É preciso entender, viver, amar, gozar...
Já te falei, é preciso ter coragem de amar sem culpa
até quando eu quiser
e quando eu estiver farto, lambuzado
enfastiado e cansado
te mato!
Vânia de Farias Castro.
Em 22 de fevereiro de 2019
Imagens: Google.
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:09 Nenhum comentário:
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Olhando a imensidão
senti saudades de mim
do tempo em que eu nada sabia
dos sortilégios dos homens
não sei o que mais consome
se a dor da descoberta
minha mente já desperta
ou as dúvidas que ora chegam
a avareza soberba
egolatria e seu visgo
anda tudo sem sentido
só a Maia companheira
Uns passam a vida inteira
pensando apenas em si
nos seus: parentes e aderentes
distanciados do Cosmo.
Ainda não me conformo
com tamanha avareza
a companheira tristeza
é outra que se assenta
determinada e atrevida
invade todo meu íntimo
já não entendo o que sinto
meu corpo se enregela
contorções e apatia
se alternam em sincronia
numa dança lenta e fúnebre
agora o que me confunde
é saber que sou um deles
nesse mundo de degredo
em que sou tão infeliz
como qualquer meretriz
despojada de seu corpo
servido como despejo
dos homens só o desejo
secreções podres nojentas
não há lixivia ou aguardente
que me limpe desse pejo.
Vânia De Farias Castro
Em 23 de fevereiro de 2019
Imagens: Google.
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:07 Nenhum comentário:
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Que este dia seja calmo

Que este dia seja calmo
nossa alma seja leve
que os bons ventos nos levem
para ver outras paisagens
sem morte de nossos jovens
de nós negros e mulheres
que a maldade seja breve
e também todo o engano
que este dia seja brisa
cicatrizando feridas
aumentando a esperança
que possamos ser a dança
ser a música e o acalanto
e ainda ser encanto
ser porta voz da justiça
oremos por nossos velhos
tão desprezados e aflitos
tratados até como lixos
sem nenhuma serventia
que sejamos moradia
para a paz e bonomia
expulsando a covardia
estroinice sem limites
que possamos ser alpiste
para os pássaros sem um ninho
e ainda ser cadinho
para os nossos próprios vícios.
Vânia De Farias Castro.
Em 23 de fevereiro de 2019
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:06 Nenhum comentário:
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Em que vala pútrida deixamos nossa humanidade?
Como criança abandonada na porta de um convento
ou numa caixa, sem proteção ao relento
deixamos nossa pequena humanidade perdida
sem compaixão, ternura ou guarida
nossa humanidade definha de fome e sede

sua fome de justiça não foi saciada
sua sede de igualdade não foi atendida
só a solidão nos porões da vida
vida seca, árida, oca pervertida
só o ódio, hediondez esgares de loucura
vibramos com a dor do outro
com a o luto e a morte do outro
sem saber que já estamos mortos
e os vermes da ganância ignorância sacia
nossa fome de guerra, destruição e afazia
Quando teremos coragem de resgatá-la?
Nunca será tarde para o recomeço
precisamos nos virar pelo avesso
e quiçá encontrar algum valor pra existência
não há mais tempo para teimosa resistência
urge sairmos dessa selvageria
desse egoísmo que nos asfixia
que destrói qualquer esperança
para nós, para os velhos e para as crianças
que precisam de nós, como amorosos guias.
Vânia de Farias Castro.
Em 02 de março de 2019
Imagens Google.
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E o amante renovou seus votos
após dias e noites qual devoto
de sua amada indecisa delirante
quando enfim a vitória se acena
o amante enfastiado sai de cena
renovando seus votos com a consorte

e descansa feliz e acalmado
volta inteiro e sereno pro reinado
seu conforto no lar alcova e morte
seu olhar outra vez pra realidade
nem que seja por horas ou segundos
é mais fácil viver qual moribundo
que enfrentar a vida tão sonhada
mas o sonho é quimera desalmada
só nos traz pesadelos e agonia
E o amante entre o pânico e a afazia
entre o céu e o inferno da rotina
é mais fácil acordar com a retina
vendo o preto o branco ou mesmo cinza
quem me dera entender a triste sina
dos amantes incrédulos com a sorte.
Vânia de Farias Castro.
Em 02 de março de 2019
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:03 Nenhum comentário:
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E esta minha raiva surda
esta sensação de desamparo
sinto frio, sem um agasalho
que proteja minha alma em calafrios
Esta sensação já foi vivida
na memória pensava esquecida
perdoada em porão guardada
mas eis que surge agora em galope
acertando minhas vísceras com um golpe
tão feroz quanto a malta ensandecida
sinto-me uma pipa sem cerol
sem qualquer valia ou vontade
se eu pudesse cortar tua maldade
manipulação, controle e ódio
quando tento voar puxa-me firme
para teu controle que ainda vive
a me golpear qual um covarde
E esta angústia que hoje me devora
me impede os passos qual espora
a mover-me em tua direção
hoje juro que a ilusão
de amar-te foi minha mortalha
quero a liberdade que agasalha
das muralhas lúgubres da prisão!
Vânia De Farias Castro.
Em 07 de março de 2019
Imagens Google.
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Para Marcos

Para Marcos Vida Lima Lima
Querido amigo distante
morando em outras paragens
quando estiveres triste
abalado, sem um fito

sentires desamparado
lembra-te de nossa infância
de nossas ternas lembranças
numa pequena cidade
brincávamos sem alarde
só alegria reinava
nossos sonhos de infante
a linha como horizonte
carregando suas cargas
nos muros das velhas fábricas
só o mundo imaginário
com príncipes e seus reinados
ou outros reinos encantados
nossos olhos irritados
com a poeira do cisal
dos esgotos ensanguentados
suas cores fumegantes
pareciam os dragões
soltando de seus pulmões
labaredas a incendiarem
a parca vegetação...
Mas pra nós, só criação
Papai Noel e os presentes
as quadrilhas e os repentes
o quebra pote animado
os dramas improvisados
transformados em espetáculo
osculando o tablado
nossos pequenos pés
não havia esse revés
da justiça em justiceiros
da nação em lamaceiro
da mulher apenas saco
de pancada para os fracos
só força bruta, cruel.
Vânia De Farias Castro
Em 11 de março de 2019
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 04:58 Nenhum comentário:
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Mulher!
Lutarás até quando?
Embaixo de escombros
catando lixo e outros restos
de homens, apenas os dejetos
mas é 08 de março
sobra galhardia...

Mulher!
Qual é mesmo o teu dia?
Ergastulada na solidão
criando os filhos sozinha
falta tudo na cozinha
só a fome é companheira
mas é 08 de março
terás flores e brincadeiras
Mulher!
De onde vem tua força?
Quantos séculos nas galés
remando contra a maré
arrastando tua dor
escondendo tuas marcas
os sopapos, as trapaças
mutilando tuas coxas
teu rosto ontem queimado
mas hoje é 08 de março
terás flores, frases fofas...
Mulher!
Qual dia terás direitos?
De escolheres os parceiros
de amares sem mordaça
quando estuprada justiça
não o fogo como maca
queimada em tantas fogueiras
modernas a incendiá-la
ontem o jovem cavalheiro
bravata pro mundo inteiro
podia te defendê-la
enfrentar o predador
mas preferiu te matar
queimar sua covardia
pois o machismo é lacaio
e mulher sempre mais fraca!
Vânia De Farias Castro
em 08 de março de 2019
Imagens Google.
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Minha Estrelinha Se Foi

Minha estrelinha se foi
foi brilhar no firmamento
espero que meu lamento
se transforme em gratidão
pelos dias de união
de alegria sem jaça
olvidando as trapaças
dos crápulas desta nação

Minha estrelinha se foi
hoje brilha mais que nunca
as chacotas hostilidades
já não lhe causam surpresa
aos maus deixou suas presas
envenenando seus corpos
suas mentes ergastuladas
Quiçá eu encontre forças
para lutar por mais tempo
em conspurcado terreno
em terra sem esperança
por mais estrelas brilhantes
a espera de um futuro
minha estrelinha asseguro
procurarei por mais força
pelos homens com a forca
apertando seus pescoços
pelos negros sem apoio
só fuzil em suas testas
minha estrelinha hoje atestas
a doença dessa gente
falta amor, falta decência
só não falta excrescência
do horror e decadência.
Vânia De Farias Castro
Em 03 de março de 2019
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Mar do Cabo Branco

Poética digital

Mar do Cabo Branco
Telúrico é o valsar da lua
no compasso das esferas celestes
Quado cai o luar sobre o mar
as algas hipnotizam as cores no humano olhar
Quem dera soubesse dizer um soneto d'amor
o jangadeiro solitário lembrando a amada em flor
Mas a estrelas piscam os acordes da amada ausente
cristais vestígios da beleza faíscam nas areias dolentes
A métrica do soneto no bolso do náufrago caolho à Camões
nunca foi a medida de paixões singrando os mares lusitanos
Oh, mar do Cabo Branco
quanto do teu azul adocicou as fantasias do violento Portugal.
(Wellington Pereira - 23/03/2019)
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