VÂNIA DE FARIAS CASTRO

sábado, 30 de novembro de 2019

O vento soprava lento
morno como teu corpo
acalmei todo o alvoroço
visitando meu coração...
olvidei por segundos a agitação dos sentidos
desejei a paz das necrópoles
seus túmulos soberbos
guardando a nossa transformação
em nutrientes para outros seres
Senti apascentar meus desejos
segui intimorata para meu degredo
dentro de mim mesma me encontrei
calei minha voz por segundos
para auscutar o som da terra
e toda magia que nela encerra
desde os primórdios de nossa criação
senti mais uma vez teu toque
em meus dedos, em meus pés
desejei ficar ali, bebendo de teu desejo
mas todos testemunharam nosso enlevo
precisei acordar do sonho
esses momentos de êxtase só pertence a nós
criar , crear eis a questão:
alimentar o vendaval das paixões
ou tirar do nada, gerando outras formas
de sentir e ouvir o tempo
de se contentar com o vento.
Vânia De Farias Castro
Em 26 de outubro de 2019
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Eu por ti,
esqueci até
das mentes criminosas
e de minha paixão pelo Spencer
Foram anos de amor e de suspense
de apego e admiração

como entender as coisas do coração?
Por um amor moribundo acabrunhado
esperando ansioso o bocado
o pedaço de afeto o quinhão...
Eu por ti,
esqueci do tempo e das horas
do enamoramento com a história
das mentes em completo desalinho
descobri que pensei andar sozinho
conquistando o saber, entendimento
seria o bastante, a contento
mas queria bem mais pegar tua mão.
Vânia de Farias Castro.
Em 28 de janeiro de 2020
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Voltei a ser criança
indagando aos oráculos
estrela do firmamento
dai notícia de meu bem
Se dormindo o cão late
se tem outra, a porta bate
se me ama o assovio...
Ouvi o cão latindo
a porta batendo
muitos homens assoviando
minha mente embaralhando
as cartas dos meus amores
na liquidez de minhas dores
as estrelas aquietaram.
Vânia De Farias Castro
Em 29 de novembro de 2019
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Meu coração é teimoso
ele sonhou no verão
sonhou na primavera
no outono...

E quando deveria se aquietar
no friozinho do inverno,
ele sonha mais ainda
é o tempo de rever prioridades
organizar as gavetas
descartar os objetos desnecessários
as relações tóxicas
murmúrios e ingratidões

é tempo de artesania
passar horas e horas no mesmo ofício
procurando focar no importante
nos afetos, nos olhares,
nos silêncios cheios de som

é o tempo da leitura
não apenas dos livros
dos periódicos
mas acima de tudo, da natureza
que sempre esteve ali
com suas maravilhosas lições

No inverno, meu coração ganha força
chora com intensidade
alegra-se com a verdade
que tentamos esconder
para agradar aos demais.

Vânia de Farias Castro.
Em 24 de novembro de 2019
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Meu filho vê se te emenda
não entres em confusão
mulher carente é nó cego
é pior que camburão
se quer viver mais um dia
fuja de doida atirada
melhor seguir seu caminho
não puxes vaca atolada

Melhor se orientar
seguir o exemplo dos sábios
mais vale andar sozinho
do que mal acompanhado
já te falei filho meu
gente carente é perigo
egoísta e ególatra
só olha o próprio umbigo
quando entrares numa fria
ela foge para longe
vai enganar outros trouxas
fazer isca pra malandro.
Fuja logo desse troço
não te enrole em maus lençóis
vai procurar tua turma
antes de levar cipó
pois malandro enciumado
fica cego, alucinado
quando abrires esse olho
o fato foi consumado
melhor maluco na estrada
do que defunto gelado.
Vânia de Farias Castro.
Em 29 de novembro de 2019
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sábado, 26 de outubro de 2019

Ela chegou...
Desembaraçada e sem nenhum pudor
chegou sorrindo um sorriso doce
chegou sentando ao meu lado afoita
tocou minha pele atrevida e ficou...
Foram poucos segundos, mas parecia eternidade
acreditava livre de sua maldade
na minha idade pensei haver superado
as alegrias e dores que o tempo levou
então ela chegou...
Em suas mãos espinhos sem rosas
em seus cabelos, cactos em cores terrosas
de seus olhos o fogo da paixão!
Tentei levantar, sem conseguir
cogitei correr, voar, sei lá, fugir
então, a danada levantou com seu jeito maroto
beijou meu rosto, saiu demonstrando gosto
por ter me tocado, sem eu consentir.
Vez por outra ela chega e me arrebata
Ah essa saudade, um dia me mata
de susto ou de gozo, do que outrora vivi.
Vânia de Farias Castro.
Em 15 de outubro de 2019
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Retire da vida só o essencial
olhe para as abelhas
não machucam as flores
só o néctar para fabricar o mel
tantos animais agem e vivem sem agredir a natureza
Olhe para as abelhas
retenha apenas o necessário
precisamos de pouco para sermos
e de muito para termos
nossa busca é pelo crescimento
mesmo em germe, esse alimento
pode alimentar a muitos
que já cansaram de buscar
Olhe para abelhas...
Não acumulam, nem sofrem
trabalham, trabalham e trabalham
nos oferecem o mel
um dia seremos abelhas
e seremos felizes
felicidade é doar, fecundar, criar
felicidade é distribuir alegria
felicidade é sair da afazia
procurar as flores
retirar o néctar
e fazer o mel...
Vânia De Farias Castro
Em 16 de outubro de 2019
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Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 08:54 Nenhum comentário:
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Agora deu o parará
voltamos também no tempo
dos forrós de antigamente
onde a recusa era afronta
deixar de dançar com onça
era usar vara curta

os machos logo sacavam
das peixeiras, e dos socos
as paredes de reboco
balançavam ao novo som
cabra dengoso era macho
mimado um valentão
uns fracotes em construção
querendo ser gente grande
meu amigo vá mais longe
procurar um psicólogo
ou mesmo um odontólogo
que cuida da dentição
se não aguenta um não
imagina um bisturi
mas pareces um guri
recebendo reprimenda
na minha casa tem renda
também tem faca e facão!
Vânia de Farias Castro
Em 17 de outubro de 2019
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Não funciona assim
meu amigo tome tento
não domamos sentimento
nem extinguimos por decreto
não mandei chegar mais perto
e queimar o seu dedinho
deixe de dengo neguinho
aguente a frustração.

Se um dia eu me deixar
dominar pela ilusão
melhor chamar camburão
pois sei que estarei bêbada
que Deus sempre me proteja
desses homens sem noção!
Quem toma a iniciativa
arrisca-se, paga o preço
meu amigo o endereço
para machões de plantão
é bem longe do meu sítio
na minha terra eu habito
não tolero ocupação
se não gostou tome um porre
ou vá atrás de quem corre
pelas ruas em contra mão!
Vânia de Farias Castro.
Em 17 de outubro de 2019
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Meu amigo eu não entendo
esse teu comportamento
teu lenga lenga lamento
com a minha decisão
precisamos reforçar
não apenas nossos músculos
resistência do espírito
é prudente e oportuno
eis que na vida há fartura
de dores, mágoas, partidas
não podemos dar guarida
ao revide e agressão...
Há que enfrentar à vida
com firme resolução
se cada não que ouvirmos
partimos para o ataque
não haverão mais os parques
outra qualquer diversão
eis que tudo nesta vida
é efêmero e mutável
hoje a água potável
amanhã será urina
nosso corpo é usina
de muita transformação
imagina as relações
nesta vida rica e rápida
o que hoje nos agrada
pode virar ojeriza
até o calor do sol
em uma pele ferida
gera incômodo e sofrimento
causando desgosto e dor
Peço-te até por favor
refaça teus sentimentos
eis que mágoa e lamento
não mudará o que penso
muito menos o que quero
vamos dançar um bolero
ou um forró pé de serra
observar nossas serras
nosso querido sertão
não andes na contra mão
dessas estradas queridas!
Vânia de Farias Castro.
Em 19 de outubro de 2019
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Eu só tenho a agradecer
por teu desejo mofino
vê se te manca menino
vai procurar a modéstia
parece que a coitada
passou por ti feito um raio

mas pareces papagaio
fazendo a própria defesa
auto elogio é pobreza
coisa feia da moléstia
falta siso, sobra empáfia
estás ficando sem graça
mostrando a própria carcaça
quem conhece não propaga
quem propaga não conhece
sábio é quem nada sabe
pois grande é o universo
e seus sábios são discretos
quem diz não é, e quem é
não joga no Facebook
procura quem te eduque
quem te ensine a lição:
mas vale um bom coração
que corpanzil de gigante
esse teu auto falante
enche dez sacos vazios
chega a dar arrepios
em fantasma de lençol
meu amigo, este teu rol
de ladainha insossa
dá enjoo até em boca
de garrafa de pitu
olha lá se tenho tempo
pra dá ouvido a tatu.
Vânia De Farias Castro
Em 19 de outubro de 2019
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Sentada naquela pequena sala
expressão patibular
não saberia de memória os crimes praticados
sentia-me como um condenado
vida resumida em um novelo enlinhado
de fios multicolores, quase prensados
num tear de aflição em três dimensões
também não saberia identificar onde estaria a ponta
não tinha como deselinhá-lo

meu peito arfava de dor
dos pulmões, um chiado dispinéico
não me indicaste qualquer remédio
no meu teatro de horrores desfilavam as tragédias
os anos passaram e continuava perdida
a cada sessão, mais contundida
estilhaçada em minhas memórias
(se é que ainda as tinha)
os personagens se revezavam em seus patéticos papéis
e eu continuava fiel, à minha dor, à minha agonia
à minha triste história
não encontrei respostas, tampouco a cura
foram anos a fio, numa atabalhoada procura
do sentido ou fito que justificasse o sofrimento
sentia-me fora de mim
e ainda hoje, não consegui adentrar
Peço-te por Deus! Deixa-me viver
se estou feliz, não obstante ainda perdida
de minha história, uma total desconhecida
não preciso de ti, para me deter.
Vânia De Farias Castro.
Em 20 de outubro de 2019
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Também este sorriso me encantou...
Lembrei que haverá sempre primavera
que o sol voltará a brilhar
como todas as estrelas...
E este sorriso me apascentou
lembrei que ainda há esperança
enquanto houverem crianças
teremos futuro, quiçá um futuro risonho
E este sorriso me alegrou
lembrei do palhaço Chocolate
e de tantos palhaços nos circos mambembes
na pequena cidade onde também sorri
tentarei sorrir outra vez
tentarei acreditar na beleza e na justiça
teimarei em acreditar nos homens
eis que também sou um deles
e tenho esperança em mim
tentarei manter acesa essa chama
que minhas utopias não cansem
que meus sorrisos não morram
que meus sonhos sejam plasmados
que eu sorria para outros corações!
Vânia de Farias Castro.
Em 21 de outubro de 2019
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O vento soprava lento
morno como teu corpo
acalmei todo o alvoroço
que visitava meu coração...
olvidei por segundos a agitação dos sentidos
desejei a paz das necrópoles
seus túmulos soberbos
guardando a nossa transformação
em nutrientes para outros seres
Senti apascentar meus desejos
segui intimorata para meu degredo
dentro de mim mesma me encontrei
calei minha voz por segundos
para auscutar o som da terra
e toda magia que nela encerra
desde os primórdios de nossa criação
senti mais uma vez teu toque
em meus dedos, em meus pés
desejei ficar ali, bebendo de teu desejo
mas todos testemunharam nosso enlevo
precisei acordar do sonho
esses momentos de êxtase só pertence a nós
criar , crear eis a questão:
alimentar o vendaval das paixões
ou tirar do nada, gerando outras formas
de sentir e ouvir o tempo
de se contentar com o vento.
Vânia De Farias Castro
Em 26 de outubro de 2019
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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Das páginas de minha história sobraram prantos
pés quebrados, vista curta, pras belezas e encantos
vi o mundo com uma lente, arranhada e embaçada
vi meu rosto refletido na agudeza dessas águas

de suas ondas, só as quedas, aos tropeços e barrancos
cada queda levantava, alquebrada e com espanto
vi teu rosto se esvaindo lá bem longe no horizonte
teu sorriso um dia claro, hoje um riste desencanto

vi amigos desertarem, com alegria e alacridade
as promessas olvidadas novas taças tilintarem
junto a outros companheiros, coniventes com o alarde
para mim, só o desprezo ou os cacos a me quebrarem

Mas também vi o sossego, de uma mente em descando
coração condecorado com as dores e noites insones
vi a paz me acenar, com seu riso elegante
e a certeza de um futuro, onde todos serão anjos!
Vânia De Farias Castro
Em 14 de outubro de 2019
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Engraçado alguns amigos
mesmo perto estão distantes
seus sentidos e interesses
falam alto a todo instante

são corteses simulados
quando querem alguma coisa
seu carinho, hospedagem
mas lhe tratam feito coisa
descartável, é bom dizer
pois há coisas que guardamos
com afeto na memória
e o passado encontramos...

Em verdade esses amigos
desconhecem a amizade
um liame puro e tênue
resistente ao alarde
ri baixinho, chora quieto
não sufoca o amigo
sempre pronto e alerta
quando surge o perigo

amizade é coisa fina
como doce de alfinim
resgatando o que trazemos
como cheiro de alecrim

seu odor não olvidado
pelo tempo ou pelas dores
a distância, ou mesmo as provas
aferindo os valores
conquistados em bravas lutas
entre o Self e o ego inflado.

Meu amigo, me despeço
de tua frágil amizade
que a distância me socorra
de seus afiados dardos
tem marcado a ferro quente
minha pele calejada
feito gado pertencente
ao egoísta abastado!

Vânia de Farias Castro.
Em 14 de outubro de 2019
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Senhor, arranca-me dos espinheiros da intolerância
da enfermidade grave da impaciência
da falta de confiança em mim, na humanidade e em Ti
Socorre-me de meu ego adoecido, e da minha ignorância

Salva-me dos precipícios da arrogância
das armadilhas cruéis da indiferença
da lepra moral do egoísmo
da cegueira contumaz quanto as Tuas Leis

Senhor! Hoje rogo a Tua misericórdia
é difícil caminhar enrodilhada nos cordéis da insensatez
da presunção e heresia da separatividade
da projeção de minhas defecções nos atos alheios

Senhor! Socorre-me da cultura inútil da maledicência
do solo encharcado e podre onde proliferam répteis e erva daninha
do julgamento precipitado, e do rigor excessivo.
do desânimo que tenta com sofreguidão me devorar

Senhor! Socorre-me de mim!

Vânia De Farias Castro
Em 14 de outubro de 2019
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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Ontem nos encontramos
fizemos algumas visitas
percorremos alguns caminhos
as vezes nebulosos, estranhos e íngremes
sentia sempre o toque de teus dedos
perpassando tua energia, tua proteção...

Encontramos amigos que há muito não via
estavam tão modificados: machucados
feridos em seus corpos e almas
suas mães aflitas, constatando que
seus avisos e cuidados foram inúteis
mas continuavam cuidando
(coisas de mães)
A cada sofrimento voltava a sentir teus dedos
teu toque, tua cumplicidade, tua proteção...
Sabias que estava confusa, contundida
angustiada e aflita
vira aflições demais, deformações demais
mutilações demais, e meu coração diminuíra
encolhia e se expandia com a esperança
de teus dedos, de tuas mãos de tua proteção...
E nesse expandir e retrair
não nos contivemos
e deixamos derramar a nossa paixão
nosso desejo contigo,
nosso afeto construído com teus dedos
tuas mãos, tua proteção
Me senti plena e segura
confiante para enfrentar outras estradas
e percorremos nosso caminho de volta
seguros de que nos protegíamos
nosso afeto era nossa fortaleza
mas precisávamos voltar à realidade
afinal, havíamos deixado pedacinhos de pão...
Vânia de Farias Castro
Em 28 de setembro de 2019
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Panfletária...
E daí?
Que meus panfletos alcancem alguns amigos
que os desafetos sejam alcançados
meus panfletos já foram jogados
de alta torre erguida de utopias


Ativista...
E daí?
Que meu ativismo te convença um dia
que somos unos, muito mais que juntos
que somos cosmos muito mais que caos
que somos gente muito mais que gado

Exagerada
E daí?
Que meu excesso cresça a cada dia
minha coragem não seja banida
quero exagero nesta parca vida
quero fartura e que não falte fibra
nas engrenagens de tua fadiga

"Poeta"...
E daí?
Que eu não escreva pra te agradar
nem pra provar que sou a mais querida
a poesia já é pouco lida
com essas aspas, já foi esquecida
ou realçada por poeticidas!

Vânia De Farias Castro.
Em 29 de setembro de 2019
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Os filósofos de uma letra só
só conhecem o K
se não estão arrimados pela razão usam o k
se contrariados em seus frágeis argumentos,
desferem K
se lhes faltam embasamento lógico,
sacam k
se falta baculum, vomitam K.


Não adianta lhes mostrar as outras letras do alfabeto
o K, para quase tudo se lhes adequa
fico a imaginar na hora H,
eles substituindo pela hora K
eles trocam o dia D pelo dia K
Kkkkkkkkkkk, é o seu sorriso,

sua dor e sua hostilidade
todos os sentimentos e sensações
são designados pela letra K.
Esses filósofos Kansam...

Vânia De Farias Castro
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Fui esquecida pelo tempo que se demora em mim
esgotada pelas lutas que jamais cessaram
amordaçada pelas falas que jamais calaram
impedida pelos atos que ainda ensaio...

Fui agraciada pelas dores que não se esvaíram
pelos gritos e horrores que não extinguiram
pela ânsia e temores que dormem comigo

Fui bem marcada por feridas que não cicatrizaram
pelas marcas de uma vida vivida em borralho
pela dores em meus pés, cujos cristais cortaram

Fui visitada pela brisa da amiga esperança
pelas vozes em algaravia de algumas crianças
pela fé raciocinada me dando a certeza
que a vida sem as provas, só produz tristezas.

Vânia de Farias Castro.
Em 09 de outubro de 2019
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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Eu não nasci assim...
Fui me construindo ao longo do tempo
derrubando muros e paredes desnecessárias
caiando cada ambiente com cores diferentes
Eu não nasci assim...
Algumas pedras recebidas, usei como alicerce
também lapidei outras criando belas imagens
de gratidão e saudade, pois aprendemos também
com os cortes da vida, com as agressões sofridas
e com as incompreensões necessárias
Eu não nasci assim...
Fui acolhida com imenso amor
fui amada pelos meus ancestrais
como se ama a própria vida
e cuidada como uma árvore
que para crescer, necessita
de água, sol, e algumas podas
Eu não nasci assim..
Eu não nasci assim...
E pretendo continuar me construindo
e nascendo a cada dia
seguindo o exemplo de Helio
acalmando-me a cada noite
aceitando minhas fases como a querida Selena.
Eu não nasci assim!
Vânia de Farias Castro.
Em 16 de agosto de 2019
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A mata chora
nosso coração sangra
de dor, angústia e medo
o pulmão asfixiado
só fumaça e cheiro de morte
os rios choram
em seu leito,
escorre o sangue dos índios
poucos são os que os entendem
poucos são os que os veneram
poucos são os que os preservam
poucos são os que choram suas lágrimas
lágrimas de rio...
E esses poucos estão morrendo
com os rios.
As aves voam
sem rumo, sem norte
deixam seus ninhos e aves implumes
migram como os antigos sertanejos
e sobreviverão em degredo
ou ficarão perdidos pelo caminho
as flores secam
o fogo voraz com fome não sossega
suas labaredas alcançam nossos pesadelos
nossa mente em algazarra já não compreende
cadê nossos elfos e duendes?
Também são devorados pelo fogo
da ganância dos homens
ignorância crônica
escrúpulos em debandada
foram queimados com as matas.
Vânia de Farias Castro.
Em 20 de agosto de 2019
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É preciso muito estômago
para engolir tanta loucura
estômago de ruminantes
vida de ruminantes...

É preciso muito estômago
para engolir tantos cururus
foguetões com a morte de uns
aplausos com a fome de tantos
alacridade com a miséria de outros.

Bandido saindo pelo ladrão
matando ladrão
desde que o ladrão roube pouco:
uma côdea de pão
uma lata de leite paro o filho
sardinhas enlatadas
como nossas gargantas

já não precisamos de estômago
algumas tragédias não são digeríveis
policiais negros, pobres, famintos
matando negros indigentes com fome.

E o estado comemora
Ave pistolas de todos os calibres!
Fuzis de todos os fabricantes
Avante América genocida
estamos te esperando
com a boca escancarada
mas já sem dentes!

Vânia De Farias Castro
Em 20 de agosto de 2019
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Saudade...
Um mosquito zumbindo
baixinho, ritmado
nos rodeando sem escrúpulo
com a desenvoltura de quem
sempre esteve presente
mas quietinho...

A espera do momento
de zumbir, azucrinar
como pequenos alfinetes
tocar nossos sentidos
devagar, como quem acaricia
Saudade...
Trabalha feito as formigas
zomba como as cigarras
de jeito nos agarra
com fino requinte
sugere que o passado
não passou
ou então esqueceu de partir
de passar a limpo
os rabiscos mal feitos
os rascunhos imperfeitos
canhestros, demodé
e nos descobrimos à mercê
de borboleta graciosa
saindo do casulo
como quem se veste
para ir a missa aos domingos
ou passear no parque
com nossas lembranças
inquietações desejos memórias
dando passos graciosas
para nos deter no passado!
Vânia De Farias Castro
24 de agosto de 2019
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Ah minha querida Maia!
Como os homens se enganam
vivem um castelo de sonhos
pensando que são exatas
suas ciências esquisitas
alquimistas inveterados
misturam tudo em bocados
se lambuzam na conquista
numa hora Epimeteu
noutra Narciso em seu lago
Aquiles com pés quebrados
fugindo de inundações
os corações dos amantes
são enfeitados com flores
após noite de amores
caem na própria exaustão
não escutam Prometeu
preparam lindos presentes
qual Pandora inconsequente
distribuindo aflições!
Vânia de Farias Castro.
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Eu e a bolha
não permito que invadam minha bolha
ela é redonda, mas é plana feito a terra
há algum tempo, tentam penetrá-la
ergo muros altos, fortalezas que me enterram
minha bolha é confortável
cabe a mim, e aos meus admiradores
uns tantos são apenas bajuladores
mas esses são úteis na minha translúcida bolha...
Ela é meu castelo
as vezes desmorona quando estou sozinho
quando olho no espelho e não gosto do que vejo
um garoto mimado, esperneando a cada frustração
vocês existem para atender meus desejos!
As vezes uma mulher audaciosa observa minha bolha
essas são as mais perigosas, astuciosas
não acredito que sejam criativas
acho que plagiam o mundo e seus encantos
enquanto eu, sou o único criador de minhas vacas
e essa mulheres mais parecem ovelhas negras
azuis, cor de rosa e algumas
se pintam de verde para me confundir...
Tenho vontade de bater nelas
mas se assim o fizer podem me considerar violento
e não sou violento, apenas ressentido
um pouco irascível talvez
mas apenas quando elas roubam meus confetes
eu que lutei por tantos anos,
construindo minha bolha
para algumas tontas sem qualquer esforço
e sem a pulseira de identificação
tentarem adentrar a minha bolha?
Não. Não e não!
Fiquem fora de minha querida bolha!
Vânia de Farias Castro.
Em 31 de agosto de 2019
Imagens Google.
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Não posso lutar toda guerra
nem brigar todas as lutas
mas posso evitar disputas
inúteis contraproducentes.
Não luto todas as guerras
mas a minha luta interna
dentro de mim, somente
prepara-me pra muitas guerras
minha e de toda gente
é uma luta diária
contra meus próprios vícios
preguiça, tola vaidade
ingratidão que despista
um ego, desproporcional
doente, quase infartando
continuarei lutando
até meu último momento
evitando os lamentos
letargia sem propósito
quero lutar contra o ódio
que tenta nos destruir
amando mais, e querendo
ver o inimigo entender
que a paz é meiga amiga
com seu manto a proteger
todos nós, vítimas e algozes
aguardando o entardecer
observando a aurora
com notícias de ventura
quando essa guerra for finda
não haverá amargura
um ao outro, proteger!
Vânia de Farias Castro.
Imagens Google.
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- Quando vens aqui?
- Quando me convidarem
- A nossa casa é a tua casa
minha querida.
Quando te convidamos para nossas vidas
ainda não tinhas sido gerada
estavas na erraticidade
aguardando uma nova oportunidade
E nós, com o mesmo desejo:
do reencontro em novas paisagens
esperamos-te com esperança e júbilo
com carinho e certeza
de que nossa caminhada
abriria novas estradas
novas luzes, para iluminarem
os caminhos perdidos
escuridão de nossas consciências
ferroadas nos corações amorosos
deserção, após fervorosas promessas
traição após confiança depositada
Agora é a vez do recomeço
de levantarmos após numeras quedas
de lenir com o bálsamo da paciência
as feridas abertas de antanho
de cobrir com o manto da paz
nossos corações cansados da guerra
nossas mãos calejadas nos crimes
nossos pés, acostumados a espezinhar
Agora é a hora, minha querida.
O tempo urge, e a felicidade nos espera
somos filhos da luz, herdeiros do cosmo
e fomos fadados à angelitude.
Bem vinda querida!
Vânia de Farias Castro.
Em 24 de setembro de 2019
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E alguns vivem a espera de migalhas
que aplaquem sua fome de viver
só recebem poucas sobras e mortalhas
um enterro de indigente a fenecer
Esperei pelas noites e pelos dias
Sherazade com esperança alvorecer
tanta história, tantas noites acordada
com a morte decretada ao anoitecer
E alguns vivem a espera de retalhos
remendados ou cerzidos nos seus fios
e quem sabe sua pele aquecida
pelos golpes desferidos pelo frio
Esperei por pedaços de tecidos
uma manta colorida me cobrir
recebi uns jornais velhas notícias
mais histórias repetidas a me sorrir
E alguns vivem a espera de cuidados
dos amigos, de seus filhos ou amantes
só recebem ironia indiferença
não se sabe se presentes ou distantes
Esperei pelos cuidados prometidos
mas promessas são mais fáceis de esquecer
recebi na espera a descoberta
que só eu posso cuidar-me sem sofrer.
Vânia De Farias Castro.
Em 12 de setembro de 2019
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Estão destruindo nossas maravilhas
meninas, meninos, famílias inteiras
mulheres e negros na afoita fogueira
da insanidade dos monstros na feira
nos super mercados, pedaços de carne
valem mais que uma vida!


Estão destruindo nossas maravilhas
são aves implumes por feras abatidas
a cidade maravilhosa está repleta de fuzis
e seus encantos dando lugar ao cântico fúnebre.
Nossas maravilhas viajando num ataúde
deixando-nos órfãos, enlutados e aparvalhados

já não sabemos o que, e como fazer
já não sabemos evitar que sangre
que nossa impotência seja maior que as mortes
que nossa inércia seja maior que a destruição
estamos morrendo de inanição
dos sentidos, sentimentos, emoções
nossa indiferença não tarda a nos matar
nosso dia também chegará
e nos encontrará dormindo
Não haverá tempo para lutar

Vânia De Farias Castro
Em 21 de setembro de 2019
Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 10:52 Nenhum comentário:
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Confesso que queria...
Queria acreditar
na ingenuidade dessas pessoas
que fazem suas escolhas e não se responsabilizam
foram todos manipulados
foram enganados
são coitadinhos...

Confesso que não queria acreditar
que suas escolhas são conscientes
escolhem quem os representem
quem pensa como eles
discriminam como eles
desrespeitam como eles
abominam como eles
só não vivem como eles
os poderosos e seus interesses vis
os alienados e suas ambições
de serem também poderosos
de saírem de sua mediocridade econômica
e partem para a indecência
querem a parecênça
usando marcas famosas made in China
A China é de todos nós
copiam tudo que econtram
mas não se enganem:
são autorizados pelas grandes marcas
para enganar os incautos
atingirem as classes de c a z.
criam também a ilusão
que não precisam de liberdade
acreditam que são livres
para escolher qualquer roupa
qualquer bolsa, ou forca
qualquer opioide
quando a fatura lhes visitam!
Vânia De Farias Castro
Em 26 de setembro de 2019
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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Ainda bem que tenho o mar por cobertor.
Meu amor vive como embarcado,
sempre em alto mar me deixando à deriva
envia-me algumas conchas
cartões já bem amassados
desgastados pelo tempo
tempo de distância


Em suas poucas cartas,
ele diz que visita algumas tabernas
toca algumas moças
e que as confunde comigo
Eu nunca entrei numa taberna
também não bebo nem fumo
nunca me viciei, nem em amar

Já ouvi falar em mulheres que amam demais
não sei amar demais, nem de menos
só sei amar. Aliás, acho que sei
Meu amor é meio exagerado
promete demais, se empolga demais
mas ama de menos...

As vezes envia-me pequenas relíquias
em forma de poemas
As vezes apenas o silêncio...
E assim fica meses, em alto mar
penso que ele só ama à distância
e a distância...

Ainda bem que tenho o mar por cobertor.

Vânia De Farias Castro
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google.
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Um dia me vesti de anjo para te salvar
noutro de doida para te enlouquecer
Um dia me vesti de santa para te proteger
noutro de Medeia para te ver sofrer

Um dia me vesti de messalina para te agradar
noutro de abelha rainha, para te destruir
Um dia me vesti de deusa para te encantar
noutro de Pandora para te enganar

Um dia me vesti de monja para te aquietar
noutro de dançarina para te excitar
Um dia me vesti de arvore para te dar sombra
noutro de deserto para matar-te de sede

Hoje só me visto de mim...
Mas continuo te matando
destruindo, enlouquecendo
confundindo, encantando
mas também morrendo.

Quando a pele é vestimenta
não conseguimos descer
às profundezas do gozo
sem nos afogar

quando a pele é vestimenta
não consegue esconder as cicatrizes
as marcas do tempo, nem os testemunhos
das dores que a alma tenta esconder!

Vânia De Farias Castro
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google
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Fugi de ti
não aguentava mais te esperar
levantei e olhei para teu rosto uma ultima vez
para tua sombra que insistia em permanecer

após o último encontro
senti novamente teu cheiro:
de mar, de sal, de algas...



Fugi de ti
para lugares onde não houvessem outros como tu
com a magia que corria de teus dedos
nas cordas firmes e retesadas de  teu violão
 e nas artérias de meu coração

Fugi de ti
mas jamais consegui me distanciar o suficiente
continuavas em minha pele
em meus pesadelos em minha mente
em meus devaneios desejando-te mais
desejando cada noite e cada manhã
quando acordava entre tuas coxas

Fugi de ti
mas em verdade, estava apenas fugindo de mim!

Vânia de Farias Castro.
Em 15 de setembro de 2019
Imagens: Google
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E alguns vivem a espera de migalhas
que aplaquem sua fome de viver
só recebem poucas sobras e mortalhas
um enterro de indigente a fenecer

Esperei pelas noites e pelos dias
Sherazade com esperança alvorecer
tanta história, tantas noites acordada
com a morte decretada ao anoitecer

E alguns vivem a espera de retalhos
remendados ou cerzidos nos seus fios
e quem sabe sua pele aquecida
pelos golpes desferidos pelo frio

Esperei por pedaços de tecidos
uma manta colorida me cobrir
recebi uns jornais velhas notícias
mais história repetida a me sorrir

E alguns vivem a espera de cuidados
dos amigos, de seus filhos ou amantes
só recebem ironia indiferença
não se sabe se presentes ou distantes

Esperei pelos cuidados prometidos
mas promessas são mais fáceis de esquecer
recebi na espera a descoberta
que só eu posso cuidar-me sem sofrer.

Vânia De Farias Castro.
Em 12 de setembro de 2019
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Eu não choro por chorar
choro porque dói
choro porque corta
choro porque aflige

Eu não choro por chorar
choro pelos pequenos
que nem aprenderam andar
e já são aprisionados
pelo império obsceno

Eu não choro por chorar
choro pelas mulheres
transformadas em objetos
por abjetos canalhas
após usadas, sugadas
são jogadas como as cinzas
de tubos de nicotina

Eu não choro por chorar
choro pelos velhinhos
escravos sem a senzala
tendo a fome por destino
mortos já estão em vida
vida amarga repetindo

Eu não choro por chorar
choro pelos que sonham
pelos jovens abatidos
pela polícia medonha

Eu não choro por chorar
choro porque não aprendi
não aprendi a matar!

Vânia de Farias Castro.
17 de setembro de 2019
Imagens: Google.
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quinta-feira, 25 de julho de 2019

QUE NOSSO DESESPERO SEJA BREVE

Que o nosso desespero seja breve
e que nossas esperanças nos elevem
à empena de nossa edificação
que sejamos o alicerce e as colunas
para muitos que esperam algum lume
que acendam essa tétrica escuridão

que sejamos a calçada protetora
dos veículos enlouquecidos nas estradas
que possamos ser a fonte acolhedora
pro sedento com as pernas alquebradas
Em quem sabe esta tragédia acabe um dia
como todos os impérios do passado
que seus títeres já cansados da euforia
se descubram como bobos amordaçados.
Vânia De Farias Castro
Imagens: Google
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sexta-feira, 12 de abril de 2019

Nou sou daqui
sinto-me estrangeiro em minha própria terra
encontro ressonância noutras serras
noutros rincões mundo a fora
Não sou daqui
tudo é muito estranho e traiçoeiro
as pessoas se unem em grupelhos
de artistas, cientistas, carpinteiros
mas não vejo união do ser humano
Cada um ouve apenas a própria voz
é um empurra empurra bem veloz
pra se ver quem chegará primeiro
mas não se chega a lugar nenhum
O Cirineu morreu nas escrituras
Jesus voltou pra sepultura
após dois séculos entre nós
bem que tentou com seu exemplo e verbo
mas estamos tão imersos em nosso inferno
que esquecemos a esperança acenando
Não sou daqui
minha língua mais parece mandarim
mesmo sendo a língua mais falada
só encontro eco mesmo em mim.
Vânia De Farias Castro
Em 11 de abril de 2019
Imagens: Google.
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Vejo, um gigante ego se aproximando...
Grita em altos decibéis que é o tal
o comandante, o governante, o general
coordenador, sem coordenar,
pois o que sabe é ordenar
cria decretos, anti decretos, reforma as leis

burocracia, antipatia e simpatia,
só não entende de empatia
ouve buxixos, é muito crítico,
só não entende de autocrítica
se contestado, mostra o atestado
da crueldade, guardada a chaves
se confrontado, se torna bravo
mas corre léguas, pra outro estado
quando lhe cobram por resultados
foge assustado e entediado.
E preciso conviver com este gigante
já é difícil por uns instantes
imaginem, por dias, semanas e meses
ligo-me ao mesmo como gêmeos siameses
afinal meu ego, também não é pequeno
e assim vou vivendo tão mais ou menos
tentando não esbarrar atrapalhada
em egos maiores que o meu!
Vânia De Farias Castro.
Em 11 de abril de 2019
Imagens: Google
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Mas que vida Severina!
Margaridas, Marielles
Dandaras, Franciscas, Neves
são tantas vidas, quem dera
ser farol, ser suas peles

limpando a psicosfera
de homens toscos ou mulheres
que envergonham nós outras
humilham, osculam suas trouxas
de machismo, preconceito
discriminam sem proveito
para si e para os seus

hipocrisia, sem arrigo
pro linho de seus lençóis
acreditam-se eleitas
quando com machos se deitam
sendo colchão pros heróis

dos quadrinhos de suas mentes
esquadrinhando serpentes
para comer as sementes
geradas por podres ventres
dessas mulheres atrozes.

Quem me dera ser um dia
Joana Darc, Madalena
Maria de Magdala,
ou mesmo Joana de Cusa
quem sabe outras Marias...

Nos becos, nas rodovias
enfrentando provações
encharcando seus pulmões
dos vários canos de escape
escapando dos larápios
gozadores de plantão
assassinos seriais

e quem sabe hajam mais
insepultas pelos matos
mas outras quais carrapatos
sugam a nós, como vampiros
não lhes sobram qualquer brio
para lutar junto a nós!

Vânia De Farias Castro
Em 06 de abril de 2019
Imagens: Google.
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Oitenta tiros em nossa pele
em nossa condição de brava gente
tentam destruir qualquer semente
de honradez, cultura, resistência...

Querem cortar pela raiz
a plantação cultivada com bravura
trabalho, coragem, nossos gritos
nossa música elevada às alturas!

Quantos séculos de sequestro, contrabando
vendas no mercado, de humanos
transformados em mercadoria
mas ontem vimos outra covardia

emasculados atirando sem comando
sem controle, só o ódio dominando
hediondez, fraqueza e racismo
demonstração de crueldade, sadismo

monstros alucinados atirando
em nossa carne, ostentando os escombros
ou galés, onde escorrem nosso sangue!

Vânia de Farias Castro.
Em 09 de abril de 2019.
Imagens Google.
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terça-feira, 2 de abril de 2019

"De quimera em quimera
tornei-me uma fera
com sede de sangue
com fome de morte."
"Eu, de lágrima em lágrima
sequei minhas mágoas
torrei o meu sangue
fiz doce chouriço
onde tu te escondes
canalha soturno
cadê teu coturno
manchando o chão?
Um dia te vi
em marcha grotesca
em busca das presas
crianças e jovens
se não te comoves
com os seios das moças
cortado com força
por sanha homicida
és louco ou cruel?
humano ou monstro
decrépito imundo
no mundo das bestas
mas não estás só
são muitos os dementes
jogando a semente
do mal e da morte
tirando a sorte
do nosso futuro
qual foi o monturo
de onde saíste?
Teu dedo em riste
aponta uma arma
para o diafragma
de nosso país
és a meretriz
da podre América,
por uma merreca
abre tua pélvis
e curva-te infeliz."
Vânia De Farias Castro.
Em 26 de março de 2019
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Alegra-te com a dor alheia
com a tortura, estupro genocídio
ainda fomentas os homicídios
entre homens/bestas, soltas quais feras...

Queres ainda aplausos para tantas mortes
corpos incinerados, insepultos em destroços
tua morbidez, me causa náusea
és um vil, elemento dementado
embriagado pelas mais torpes taras
gostaria de ver a tua cara
na hora derradeira ao encontro com a vida
Qual o anjo bom que te dará guarida
reconhecendo em ti, apenas um ser enfermo
destituído de ternura, bondade empatia
apenas um monstro na hora do desterro.
Vânia De Farias Castro
Em 27 de março de 2019
Imagens: Google.
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Bem queria saber o que hora passa
nesta tua cabeça cabeçuda
se bebeste agua ardente da papuda
ou se és o escolhido entre os homens
Se és macho, mas tão macho que derrubas
as muralhas erguidas com trabalho
gostaria de saber se tens um talho
neste cérebro pensante e de plantão
deverias pensar que eu sou gente
que eu tenho direitos e deveres
meu dever é respeitar os meus afetos
me afastar de machistas sem rodeio
Não entendo esta tua pretensão
de me ver humilhada em teu palanque
e tua máscara de homem elegante
com camadas e camadas de verniz
Vê se encontra alguma boa atriz
que sustente este script já antigo
não consegues enxergar um palmo adiante
teu olhar só alcança teu umbigo.
Vânia De Farias Castro
Em 31 de março de 2019
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Ah A Covardia!

Ah a covardia!
Ela se traveste de mil jeitos
se veste de honra
de timidez e de ocupação
a covardia é muito ocupada
eis que vive consertando seus andrajos
encurtando-os se necessário
aumentando a barra, se o momento assim o exigir
Passa horas e dias fascinada
diante de sua caixinha de maquiagem
de seu toucador...
Olhando seu belo rosto,
pintando-o a seu bel prazer
um certo dia, se fantasia de digna
outro, de indignada
outro de mulher vulgar
em alguns de mulher pulcra
afinal ela conhece os textos evangélicos
e precisa de um novo figurino para recitá-los
Ah a covardia
ela, coitada pensa que engana a todos
na sua maquiagem, camadas de laca
que importou da Índia
educação, dos ingleses
pontualidade dos suíços
ou quem sabe de Kant
eis que a covardia também conhece os filósofos
palavras mansas e critério
ela é tão criteriosa que marca o horário para se irritar
e para se vingar
para provocar e se distanciar...
A covardia, jamais deixaria de ser covarde
é a sua natureza, e se alimenta dos pequenos
ou grandes golpes que desfere com precisão
e estudado requinte.
Vânia De Farias Castro
Em 02 de abril de 2019
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domingo, 24 de março de 2019

Uma coisa intrigante que ainda não consegui entender por mais que me esforce.
Durante o processo eleitoral, desde o da Presidenta Dilma Roussef, durante o tenebroso golpe, o desgoverno do Temer, e por ocasião da ultima eleição presidencial, nos abstivemos de usar até o termo coxinha, para nos referir aos opositores de nossa democracia. Sim, porque os mesmos não estavam se opondo ao PT, como alardeavam a pleno pulmões, mas a um plano de governo, que tinha como uma das metas, reduzir as desigualdades sociais, que há muito vinha se transformando em abismos sociais, através de alguns planos de governo, que beneficiaram não apenas seus eleitores, bem como quem já não votava, quem jamais votou, e quem nunca votaria. E mais, que de forma agressiva e fanática defendia um juiz arbitrário, despreparado, com uma postura jamais vista, pelo menos por nós, em qualquer judiciário do país, que apenas copiava uma operação fracassada que se deu na Itália, e apenas com propósitos políticos partidários, com o agravante de está claramente a serviço do capital estrangeiro, repetindo um script conhecido e velho, usado no golpe militar de 64, o que culminou com o Ato Institucional, que violava os direitos civis, autorizava o estado a matar, perseguir, torturar qualquer desafeto ou cidadão comum, que estivesse no lugar errado e no momento errado, sem qualquer participação política naqueles tenebrosos tempos.
O AI 5, provocou a morte, tortura, opressão, perseguição, incineração de inúmeros brasileiros que sonhavam e lutavam pela manutenção de nossa democracia e de nossa soberania, ao contrário dos assassinos que assumiram o poder, que desfilavam arrogantes, usando os mesmos argumentos de defensores da moral e dos bons costumes, quando na verdade não passavam de psicopatas sanguinários ferindo, extirpando seus de mulheres valentes, inteligentes, corajosas e determinadas que se tornaram vítimas daqueles monstros se revezando em intermináveis sessões de humilhações e torturas, estupros coletivos cometidos por homens que deveriam nos proteger e manter a ordem, mas não passavam de seres cruéis que aproveitavam o momento para estravarem seu ódio, taras e total ausência de empatia, sem qualquer escrúpulo, ou comando, eis que seus comandantes eram tão cruéis e desumanos, quanto eles próprios.
Pois bem, tivemos o cuidado de nos abster de comentários maldosos, discriminatórios e estigmatizadores durante esses anos, justificando que eles, os defensores atuais da mesma "moral e bons costumes" estavam exercendo seu direito de escolha e de livre expressão, e não cabia a nós, pelo fato de pensarmos, sentirmos e acreditarmos diferentes, nos julgarmos superiores usando termos que considerávamos depreciativos...
Mais eis que surge uma nova onda: O psicopata foi eleito, mas seus eleitores e vorazes defensores, passaram a agredir mais, ferir mais, chocar mais, nos provocando, insultando e insuflando a desordem, a morte, a grosseria, a crueldade e a barbárie. E se nos posicionamos de forma contrária, os mesmos, com a covardia que sói acontecer com os pusilânimes e ególatras, assumem o discurso de vítimas, e nos acusando de petistas e hospedeiros do ódio, enquanto eles, se consideram a personificação do amor, mascarando um ódio pelos próprios compatriotas e por eles próprios, num desfile de auto estima rebaixada, hediondez e crueldade que explodiu desde há muito, mas que muitos de nós, fazia questão de cegar ante a tanta barbárie e crueldade que já se mostrava embrionária, mas que agora, nasce para a luz, eis que o mal é corajoso e atrevido e o bem é tímido.
Vânia De Farias Castro.
Em 20 de janeiro de 2019.


Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:52 Nenhum comentário:
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Sinto-me vazio
desamparado, humilhado
sinto frio
e essa dor que não cessa
não desiste
jamais pensei que um dia visse isto
um irmão, amigo, filho degolado pelo vício
pela concupiscência, ganância, virou lixo

E a vida, quanto VALE?
Quantos restam dos covardes
nos hodiernos circos, hoje aplaudem
sem, pão nem cérebro, só o riste
os esgares a espumarem lama pútrida
nos mandando para o inferno ou para Cuba
sem entender nada do mundo, da justiça
Pensam que o inferno está bem longe
Na Venezuela se esconde
esqueceram de olhar dentro de si
de suas mentes ignóbeis em frenesi
Vânia De Farias Castro
em 26 de janeiro de 2019
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E a lama, e a lama e a lama
a lama alcançou Brumadinho
antes porém, já havia nos atingido
atingido o judiciário
o vigário, o espírita, o artista
a lama já havia atingido a justiça
a escola, a merenda, o autista
a lama petrificou o ególatra
deixou de pensar, contando as esmolas
juntando o lixo, que há muito guardara
acredita que o seu, é uma pedra rara
a do outro, não VALE, vamos enlameá-la
E a lama endureceu nossos corações
queremos o mesmo que quer o irmão
mas somente o meu sonho, valerá o esforço
para o meu amigo, dou a corda e o pescoço
A lama atingiu o Brasil, uma grande nação
hoje o chefe comanda, a mais feia facção
de sua boca esgares, lama pútrida escorre
nosso pânico cresce, mas ninguém nos socorre
e assim vamos nós, rastejando na lama
destilando veneno, nossa mente em chamas
pra apagar esse fogo, só mais lama, só lama.
Vânia de Farias Castro.
Em 31 de janeiro de 2019
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Postado por VÂNIA DE FARIAS CASTRO às 05:48 Nenhum comentário:
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      • E alguns vivem a espera de migalhas que aplaquem...
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