Procuravas me colocar num pedestal
qual estátua de carrara esculpida
meu lugar era adrede escolhido
como bela tela feita por Magistro
nas escadas escolhias os degraus
do seu cume, em direção ao céu soberbo
hoje vejo, quantos juntos no desejo
de seus corpos, para baixo inclinados
esquecendo o olhar do apaixonado
vendo o outro, como o rei de seu reinado!
Engraçado, como o mundo ainda te ver
como louco, dementado em agonia
mas eu lembro do encontro de alegrias
esperanças e venturas acenando
e o desejo de cuidarmos um do outro
como órfãos, nesse mundo de enganos.
Tu me vias, como a agua de um poço
saciando a sede num grande deserto
eu sentia, quando estavas por perto
que teria um diamante em meu pescoço
enfeitando de beleza o colo ereto
me mostrando o céu azul lá do meu fosso
Hoje lembro com ternura do passado
das viagens pelos sítios e cidades
do encanto das manhãs e belas tardes
em que juntos, dividíamos a bondade
como o pão que partilhamos com o irmão
nos enchendo de esperança a mocidade...
És o louco, mas já foste o cavalheiro
Dom Quixote, desse tempo de maldade
o palhaço de meu circo assombrado
retirando os destroços do passado
foste a fonte de agua pura prum sedento
foste o sol, a iluminar a manhã quente
foste a barca para os bichos abandonados!
Hoje o mundo rir de ti, e de teus atos
da doença que te atinge sem escrúpulos
mas eu lembro quando estava de luto
com o peso da saudade agrisolando
dos momentos de agonia e desengano
quando enfim nos encontramos no teatro.
Foste a festa da criança sem afeto
compromisso com o anjo em abandono
restaurando suas asas com os sonhos
que trazias há muito tempo acalentados
nos teus sonhos, de brincante encantado
Foste alívio, nas feridas ainda abertas
a clareira, para a mata densa e escura
foste a música que encheu a minha alma
de ternura de esperança e ventura
hoje vejo-te perdido e solapado
aos tropeços como o bêbado sonâmbulo
mas já foste a nobre bússola que um dia
me tirou das tempestades do oceano
das inúmeras promessas não cumpridas
dos comparsas nos festins em que eu reinava
comensais de minha mesa abastada
onde a fome espreitava sem alarde...
Quando a mesma se fez vista já era tarde
encontrou-me entre triste e aturdida
os convivas dos banquetes, sem aviso
num bailado deram os passos da partida.
Vânia de Farias Castro
para um poeta embriagado
Em 30 de julho de 2017
Imagens: Google.
como louco, dementado em agonia
mas eu lembro do encontro de alegrias
esperanças e venturas acenando
e o desejo de cuidarmos um do outro
como órfãos, nesse mundo de enganos.
Tu me vias, como a agua de um poço
saciando a sede num grande deserto
eu sentia, quando estavas por perto
que teria um diamante em meu pescoço
enfeitando de beleza o colo ereto
me mostrando o céu azul lá do meu fosso
Hoje lembro com ternura do passado
das viagens pelos sítios e cidades
do encanto das manhãs e belas tardes
em que juntos, dividíamos a bondade
como o pão que partilhamos com o irmão
nos enchendo de esperança a mocidade...
És o louco, mas já foste o cavalheiro
Dom Quixote, desse tempo de maldade
o palhaço de meu circo assombrado
retirando os destroços do passado
foste a fonte de agua pura prum sedento
foste o sol, a iluminar a manhã quente
foste a barca para os bichos abandonados!
Hoje o mundo rir de ti, e de teus atos
da doença que te atinge sem escrúpulos
mas eu lembro quando estava de luto
com o peso da saudade agrisolando
dos momentos de agonia e desengano
quando enfim nos encontramos no teatro.
Foste a festa da criança sem afeto
compromisso com o anjo em abandono
restaurando suas asas com os sonhos
que trazias há muito tempo acalentados
nos teus sonhos, de brincante encantado
Foste alívio, nas feridas ainda abertas
a clareira, para a mata densa e escura
foste a música que encheu a minha alma
de ternura de esperança e ventura
hoje vejo-te perdido e solapado
aos tropeços como o bêbado sonâmbulo
mas já foste a nobre bússola que um dia
me tirou das tempestades do oceano
das inúmeras promessas não cumpridas
dos comparsas nos festins em que eu reinava
comensais de minha mesa abastada
onde a fome espreitava sem alarde...
Quando a mesma se fez vista já era tarde
encontrou-me entre triste e aturdida
os convivas dos banquetes, sem aviso
num bailado deram os passos da partida.
Vânia de Farias Castro
para um poeta embriagado
Em 30 de julho de 2017
Imagens: Google.
Nenhum comentário:
Postar um comentário